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Janaína ensina Judô para crianças surdas

sexta-feira, agosto 09, 2013


  • Início de semestre e volta às aulas. Ontem (08/08/2013) me deparei com um ex colega da faculdade que não chegou a se formar comigo. Trancou matrícula no último ano... Saí da sala dos professores e fui em direção à minha sala, quando meu colega me chama: "E aí Ângela, tudo bem? Você está estudando aqui agora?"
    Eu respondi: "Não, estou dando aula."
    Ele: "Ah tá bom vai. Aula de quê se aqui não Educação Física?" -Pois eu sou formada em Educação Física.
    Eu: "Dou aula de Libras. Lembra que eu adorava as aulas da Nelma? Eu fiz pós-graduação em Libras."
    Ele: "Ah é verdade. Só uma doida como você para gostar dessa mímica. Eu vou ter aula agora de Libras e não sei pra quê."
  • Pra minha surpresa, nos dirigimos para a mesma sala. Ele ainda não acreditando que eu ia ser sua professora me falou: "Senta aqui do meu lado pra me dar uma mão, porque já já entra outra doida feito você falando com as mãos."

  • Eu perguntei: "Vc já deu uma olhada na grade horária e no nome do professor?"
    Ele: "Eu não. Você não lembra como eu era distraído?"
    Eu: "Pois então vá ver ali na porta."
    Ele viu e voltou meio sem graça: "Caraca, quer dizer que vocè é tal professora de Libras? Putz, foi mal."
  • Nossa, fiquei sem graça sabe? Ficou um clima chato. ele falando da matéria que eu amo e ainda por cima vai ser meu aluno. Que situação...
  • Fico triste quando essas coisas acontecem. Depois de postar esse acontecimento na minha página do face: www.facebook.com/LibrasEuFaloComAsMaos, muitas pessoas curtiram e comentaram.
  • Hoje quando abri meu face, tinha uma mensagem inbox. Desta vez, a autora permitiu que divulgasse seu nome e inclusive postasse uma foto. Eis a mensagem dela pra mim:
  • "Boa Noite Ângela,
  • Eu conheci sua página por causa do vídeo que você gravou protestando a falta de legenda no discurso da Presidente. Logo te procurei no Face...
    Eu tive o primeiro contato com LIBRAS por volta dos meus 16 anos, quando fui visitar minha mãe que ensinava artesanato para um grupo de jovens com diversos tipos de “deficiência”, exceto os surdos. Ela me pediu para que eu fosse buscar algo na diretoria. No caminho passei por uma sala em que a professora contava em LIBRAS a história de um gibi para seu aluno. Me apaixonei ali naquele momento!!!
    Procurei em diversos momentos da minha vida fazer o curso, aqui na cidade (Cotia), mas eu não tinha condições. Me ofereci para trabalhar como voluntária com eles, pois assim, teria o convívio e automaticamente aprenderia junto. Mas esbarrei na burocracia...
    Esse sonho ficou adormecido por alguns anos, até que meu Sensei me indicou uma vaga para ensinar Judô em uma Ong para crianças e jovens surdos. Amei a idéia, mas como o CREF está no pé das instituições em questão de estágio, ficaram com medo de me chamar e terem problemas com a fiscalização.
    Não desisti. Procurei na internet Judô para surdos e encontrei um grupo no RJ em que o professor de lá criou sinais próprios para facilitar no Judô. Ele está para publicar o livro, mas está sem patrocínio.
    Procurei uma associação grande aqui de São Paulo. Pedi uma bolsa para o curso em troca das aulas de Judô. Me pediram para procurar o espaço para realizar as aulas (sem problemas). O fato foi que as aulas de LIBRAS não iriam sair, pois não tinham fechado turma e eu iria me virar sozinha com os alunos sem intérprete. Complicado, pois não tenho fluência e sozinha a comunicação iria ficar muito difícil.
    Tenho estudado sozinha, mas sem alguém para conversar, dá uma certa insegurança, se realmente você sabe ou não.
    Conversando com minha coordenadora, onde trabalho com crianças ouvintes, propus a idéia de passar o que eu sei para as crianças. Assim eu firmaria mais ainda o sei e despertaria o interesse delas para a realidade. 
    Minha coordenadora adorou mesmo sabendo que não domino. Ela agora está vendo o horário em que será realizado.
    Esse semestre vai ter LIBRAS na faculdade, mas acredito que não vai ser um conteúdo forte, já que a matéria é optativa e quinzenal (Triste).
    Conversando no face com um surdo praticante de Jiu jitsu, perguntei como era o treino dele: se era misto. Ele me respondeu que ele faz leitura labial... Ficou surpreso quando descobriu que eles (surdos) são mais de 9 milhões no País. Ele já esta acostumado a ter que se adaptar à sociedade e não tem a mínima idéia de como pode ser melhorado a situação do surdo no esporte.
    Naquela noite eu fiquei desanimada pensei que eu era a única louca ouvinte que me importava, sendo que eu não via o interesse deles em mudar. Foi quando vi sua postagem da mulher que se negou a adotar uma criança surda...
    Fui dormir com lágrimas nos olhos aquela noite!
    O que me deixa feliz, é que ao contrário do seu ex colega de turma, minha sala está empolgada com a nova disciplina!
    Tenho o mesmo sonho que você, de que um dia LIBRAS se torne comum, que seja obrigatória no colégio e não na faculdade."

    Fiquei super feliz por ela ter compartilhado sua angústia e dificuldades comigo. às vezes eu me sinto uma louca por defender tanto os surdos, sendo que nem surdo eu tenho na família, Mas como outro dia uma pessoa me escreveu: "Ângela, minha luta pelos surdos foi uma ironia do destino. A sua é abençoada por Deus.", acredito que a luta da Janaína também é abençoada por Deus. E para todas as outras Janaínas que existem por aí, se manifestem, me escrevam... Vamos compartilhar e divulgar nossa luta.

    Quem quiser conhecer o trabalho e a luta de Janaína, entre em contato pelo face:

    https://www.facebook.com/janaina.indaia1


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1 comentários

  1. Janaína, muito obrigada por compartilhar sua história comigo. Não desista. desanimar faz parte, mas desistir jamais!!! Podemos cair algumas vezes, porém, sempre avante, rumo ao objetivo.
    #SINALIZAR É PRECISO#

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